Manual de Redação – Parte 1

Durante a construção do site é importante padronizar alguns detalhes, para que sua informação seja passada de uma forma clara e objetiva em todo o seu conjunto. Para tanto, desenvolvemos um manual de redação para que todas as matérias tenham o mesmo padrão.

Manual de Redação – Parte 1

Números:
-De 0 a 10 escrito por extenso: um, três, cinco, dez…. Assim como cem, mil, milhão
-Milhão e bilhão se abrevia com “mi” e “bi”
-Anos sempre escritos com 4 dígitos. Ex: 1990 e não 90
-Em datas não colocar o zero antes de números menores de 10. Ex.: 9 de novembro e não 09 de novembro.
-Horas em formato 24h, ou seja 16h e não 4h da tarde
-Horas quebradas não precisa marcar os minutos, apenas coloque 16h30, e não 16h30min
-Moeda sempre escrito com o R$. R$20,00 e não 20 reais
-Algarismos romanos apenas em séculos e capítulos de livros, ou quando o nome conter o algarismo romano Ex.: Pio XII.

Abreviaturas
– Abreviar pesos e medidas.
– Logradouros, quando utilizados pela primeira vez, escrever por extenso e sempre com letra minúscula
– a. C. / d. C. (reparem nas maiúscula e minúsculas)

Ítalico
-usar com nomes de filmes, livros, programas, projetos, ou faucldades
-usar em expressões em inglês, a não ser que já tenham sido agregadas ao nosso dicionário, como shopping e outdoor.

Colchetes:
-para esclarecimento de uma menção do entrevistado. Ex: “o Conselho [de Graduação] aprovou a medida”.

Siglas
-Até três letras, sempre maiúsculas. Ex.: USP.
-Acima de três, maiúsculas apenas quando o nome não for pronunciável. Ex.: UFRJ, Fuvest
-Quando a sigla é pouco conhecida, ao ser usada pela primeira vez em um texto, deve-se colocar primeiro a sigla e, em seguida, o nome inteiro entre parênteses. Ex.: CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras)

Maiúsculas e minúsculas:
-usar minuscula quando for genérico ( Na universidade os alunos…) e maiuscula quando se referis especificamente a uma coisa (Na Universidade os alunos…- aqui diz respeito apenas àquela instituição)
-Em nomes, não usar maiúsculas nas conjuções. Ex. Partido Comunista do Brasil; University of Texas.
-Vale lembra que mês é sempre em minúscula

Links
-Sempre sublinhá-los

Referências
– Quando fizer referências a algum artigo ou textos de terceiros, colocar a referência no final do texto da seguinte forma:
GRUESKIN, Bill; SEAVE, Ava e GRAVES, Lucas. THE STORY SO FAR – WHAT WE KNOW ABOUT THE BUSINESS OF DIGITAL JOURNALISM. Columbia Journalism School, 2011.
-Quando mencionar um site, colocar link para o mesmo na matéria
-Toda matéria precisa ter pela menos uma fonte ao final, caso o leitor queria se aprofundar no assunto.

Imagens
-Precisa ter um tamanho mínimo de 210×237, para não distorcer.
-Não convém ter uma largura superior a 559 pixels, caso contrário, ela não se adequa a largura da coluna do post.

Ortografia
-Quaisquer dúvidas sobre a ortografia de uma palavra, acentos, necessidade ou não de hífen, devem ser consultadas no Dicionário Aulete do UOL. Clique aqui.

The Story so Far

The Story so Far,
What We Know Abou Business of Digital Journalism
(Bill Gruesken, Ava Seave, Lucas Grave)

 

Resenha do capítulo 4 – A novíssima mídia: mobile, vídeo e outras plataformas emergentes

Blecaute. Tudo escuro. Todo mundo na rua se assustando com quarteirões inteiros apagados. As pessoas em casa vendo suas televisões desligadas, seus computadores sem internet, seus telefones sem linha. Ninguém sabia ao certo o tamanho do incidente. É nessas horas que um editor de um jornal diante uma cidade sem luz, se pergunta: como eu vou fazer para transmitir informação?

10 de novembro de 2009. O então editor de mídias digitais do Estado de S. Paulo, Pedro Doria, afirmou que nesse dia a cobertura jornalística de afunilou. Já que o público não tinha acesso aos canais tradicionais de comunicação, foi preciso assumir uma nova estratégia. Doria optou por uma cobertura por redes sociais, como Twitter e Facebook, em que as pessoas poderiam acompanhar por seus celulares. Além disso, foi possível fazer um mapa da escuridão a partir da colaboração dos leitores.

Para situações como essa, um jornal como o Estado de S. Paulo, que possuí jornalistas suficientes para manter sua edição impressa, um portal, uma TV e uma agência de notícias teve que administrar a informação que tinha em mãos e escolher a melhor plataforma para passá-la. Mas para que o jornal tenha esse poder de escolha ele tem que se preparar para produzir conteúdo para diferentes meios e é o medo de não conseguir acompanhar essas mudanças e novos formatos de informação que move cada vez mais o atual jornalismo digital.

O caso do Estado de S. Paulo é perfeito para ilustrar esse medo e principalmente esse anseio por modernização que a internet gerou e que as grandes empresas jornalísticas tentam acompanhar, tema tratado no 4º capítulo do relatório The Story So Far, What We Know About the Business of Digital Journalism, da Columbia Jounalism School da Universidade de Columbia nos Estados Unidos.

A verdade é que as empresas exploram muito pouco das possibilidades que a internet traz. O primeiro passo, que já foi dado por muitas delas, é simplesmente transportar antigas tecnologias para a web. As webtvs são um exemplo disso. A ideia de trazer o vídeo para uma plataforma online incrementa o site, mas não necessariamente explora todas as possibilidades que aquela plataforma oferece. Para citar os casos brasileiros, além do Estado de S. Paulo, mencionado acima, que investe na TV Estadão, produzindo conteúdo exclusivo em vídeo para o site, o jornal Valor Econômico vem investindo cada vez mais nessa opção, todo dia é possível ver um novo vídeo de diferentes editorias.

O único problema de simplesmente transportar plataformas, trazer o texto, a foto ou até mesmo o vídeo, para o universo digital é não aproveitar o que ele tem de melhor, sua interatividade. A ideia de que o “leitor/observador” não vai simplesmente ser passivo àquilo, mas que ele poderia ser um agente de construção do conteúdo, como fez o próprio Estadão em 2009 ao montar um mapa colaborativo.

O relatório da Universidade de Colúmbia disserta também a respeito da importância dos tablets e dos smartphones nessa nova construção e passagem da informação. Mas essas plataformas ainda enfrentam o mesmo problema que a internet. Não se trata apenas de copiar informação. Quando uma revista incorpora uma edição no iPad, a maioria das vezes, ela não consegue explorar a plataforma de um modo coerente. A edição passa a ser meramente digital e não multimídia, como o próprio iPad permitiria que ela fosse. Isso acontece por diversas causas, por falta de equipe, despreparo diante uma tecnologia tão recente, falta de tempo. A Revista Elle, revista super especializada em moda, lançou em 2011 sua versão para iPad. Com uma equipe de apenas seis designers, a revista fecha uma publicação de mais de 300 páginas e a edição do iPad, fora os jornalistas, de fato, que não conseguem pensar conteúdos exclusivos para a nova plataforma. Como o próprio relatório afirma, o iPad e plataformas semelhantes, por ainda não gerarem renda a revista ou jornal, vem como uma “espécie” de bônus ao leitor.

E este leitor vai Edir cada vez mais por esse bônus, ele espera essa novidade. Michael Harwayne, executivo da Time Inc, citado no relatório de Columbia, que consome informações de todos os lados, seu Kindle, seu smartphone e outras plataformas digitais, mas mesmo assim não abadona a leitura do jornal impresso. O papel ainda tem seu status, sua confiabilidade que ainda vai demorar muito para se dissolver, se é que irá se dissolver um dia.

The Story So Far contrapõe o fenômeno da “convergência”, em que televisões, jornais, revistas e sites de notícias tivessem a mesma informação e quase a mesma “aparência”, um mesmo formato de passar aquilo. A ideia agora é a “divergência” as grandes empresas investissem em uma grande central de conteúdo, com jornalistas preparados para trabalhar em diferentes plataformas e para saber escolher o melhor canal que determinada informação deveria ser transmitida, “diferentes modos de apresentação”.

A principal tendência (por enquanto, é muito mais uma aposta que uma tendência), segundo aponta o relatório, é a do conteúdo multiplataforma, o que não significa um conteúdo sendo reproduzido em diferentes plataformas, mas um único conteúdo sendo construído por diferentes plataformas que dependem entre si para transmitir aquela informação por completo. E os grupos jornalísticos americanos estão apostando nisso. A CNN é a pioneira nesse investimento. Além de uma das líderes de audiência da televisão, a empresa americana uma média entre 60 e 100 milhões de exibições de seus vídeos online. Ela conseguiu utilizar a internet como uma forma de ampliar seu público. Ela inclusive está dando mais liberdades aos produtores online para que o jornalismo digital possa de fato estar aberto a novas possibilidades que a tecnologia oferece.

 

 

Cada palavra no seu lugar

Atualmente, um dos grandes desafios de um site de notícias é achar o melhor formato para a informação, assim sendo, o visual deve possibilitar uma sensação estética agradável e moderna e ao mesmo tempo, melhores condições de leitura. Para tanto, o ex-diretor de Mídias Digitas do jornal O Estado de S. Paulo, explica qual corrente a reformulação do site do Estadão seguiu em 2009 e principalmente qual foi a postura do jornal diante novas mídias. Ele acredita que aí se consiste o futuro do jornalismo, saber lidar com as diferentes plataformas e adequar o conteúdo e a informação para cada forma. “É preciso entender os diferentes canais e saber gerenciar as informações” diz Doria.

Ele explica as três vertentes mundiais que se destacam nos sites de notícia. A escandinava, a americana e a européia. Na primeira o site é montado como um blog com uma linha do tempo.  Tudo que entra vai empurrando as antigas notícias para baixo. Utiliza muitas imagens e poucos textos. É uma escola utilizada apenas pelos escandinavos. O jornal norueguês Aftenpoften é um exemplo dessa escola.

A escola americana tenta reproduzir a primeira página de um jornal no site. O The New York Times simula em seu site as colunas, fontes, cores e uma organização parecida com o jornal impresso. Pedro avalia que o jornal consegue fazer isso por ter sido um dos primeiros a entrar na internet, numa época em que a própria rede era diferente. Assim, O NYT teria criado uma tradição também na internet, que resiste às mudanças mais recentes, pelo menos do ponto de vista de hierarquização da informação. Mais seguido pela Folha.com.

O site Estãdão.com baseia-se na terceira escola, a européia, em que há basicamente a construção de três colunas. A primeira coluna é destinada a um conteúdo mais pesado (hardnews) com notícias mais relevantes. A segunda coluna é reservada para assuntos mais leves (softnews) com notícias mais interessantes aos leitores. A terceira é destinada para conteúdo multimídia e publicidade. Essa organização pode variar nos sites internos devido às diferenças de definição entre hard e softnews nas editorias.

A ideia do site que a disciplina Jornalismo Online se propõe montar, por enquanto, segue mais a proposta americana. Sem muita coisa definida, nos primeiros estudos feitos pelo grupo, não optamos por colunas, mas por blocos de imagens e textos, mais parecidos com a capa de um jornal. Apesar disso, muito ainda está sendo desenvolvido.

Mas afinal, o que é Socialcast?

Tudo começou com uma notícia colocada no blog Drudge Report em 17 de Janeiro de 1998. A revista Newsweek tinha escondido uma história segundo a qual o presidente Bill Clinton tivera um caso com uma antiga estagiária da Casa Branca. Era o que garantia o site criado pelo ex-jornalista Matt Drudge, numa época em que a internet não tinha a força que tem hoje. Um dia depois aparecia o nome: Monica Lewinsky. Tinha início um dos maiores escândalos sexuais da história da política americana, cujo furo foi dado pela internet.

Cabia ao editor do jornal, por exemplo, decidir o que seria ou não noticiado, assim como fez o editor da Newsweek que preferiu deixar o caso Bill Clinton de fora. Mas com a ascensão da internet, veículos de comunicação tradicionais não têm mais o monopólio da informação. Não é mais necessariamente a mídia que descobre o fato e a notícia, o público também tem esse poder de colocar algo em pauta.

Marcelo Coutinho, ex-analista de mercado do Insituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), afirma que o ambiente da web criou o Socialistcast ou Socialcast, contrapondo-se ao tradicional Broadcast. No Broadcast (do inglês, transmissão) a informação sai de uma fonte emissora e chega a uma grande massa de receptores. Para isso é preciso haver um intenso investimento das empresas em criar tecnologia que alcance um número maior de pessoas. Portanto, o capital é fator determinante na manutenção desse método.

Já no Socialcast, a informação sai de uma grande massa e chega a outra grande massa, onde todos tem o poder de transmitir uma informação ou dar um furo de notícia. O Socialcast não exige licenças e muda o posicionamento da publicidade e do capital. Ele quebra a barreira de tempo e espaço e dispensa plataformas fixas. Afinal, é possível conectar-se a sua rede de amigos pelo celular no meio da Av. Paulista.

O Socialcast é personificado pelas redes sociais, como o Twitter, febre que atingiu o povo brasileiro, segundo maior grupo de usuários no mundo, ficando atrás apenas dos americanos. “Nessas redes sociais, o antigo consumidor da informação se torna um novo produtor desta”, diz o professor Coutinho. O jornalista, que antes tinha o monopólio de produção, perde esse poder. Entretanto, ele pode tornar-se um organizador de informações, devido a sua inegável aptidão e habilidade para entender o que realmente é relevante noticiar. Age como uma espécie de curador de conteúdo.

Como construir conteúdo então? Como organizá-lo e dispô-lo da melhor forma possível num mundo em que o Socialcast, as mídias digitais e a internet imperam? Esse será o grande desafio aqui observado e pesquisado. O objetivo final é ajudar que os textos e a informação produzida para o site da disciplina Jornalismo Online possa ser pensada e disposta visualmente para um mundo que conteúdo é cada vez mais colaborativo.